O papel das adaptações na formação de leitores
- Kailane Sousa
- 25 de nov. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de dez. de 2021
Me encontro nesse exato momento embasbacada, sem a menor ideia de quais as palavras capazes de expressar o que achei de Arcane como um todo. Uma expressão adequada, e ainda assim, incapaz de descrever Arcane com exatidão é: “obra de arte”.
Do início ao fim, a animação foi consistente, mexendo com o espectador sem muita dificuldade. O ato III finalizou a série com chave de ouro, nos deixando com um gostinho amargo de mais. A segunda temporada foi confirmada, já em estágio de produção. Enquanto isso, qual a melhor forma de suprimir essa vontade de mais? Qual o propósito das minhas postagens sobre Arcane, sendo que o foco do blog são resenhas literárias? Através de meus surtos sem pé nem cabeça, eu gostaria de mostrar um pedacinho do universo encantador por trás do jogo League of Legends.
Caso isso ainda não tenha ficado claro, Arcane é baseado em personagens desse jogo, e cada um deles possui histórias registradas em seu site oficial. Alguns se interligam diretamente, outros nem tanto, mas não se pode negar a riqueza da mitologia de LoL. Todo o universo de Runeterra e os eventos que a moldaram podem ser encontrados por lá. Jinx, Vi, Jayce, Caitlyn, Heimerdinger e muitos outros, são fruto desse universo maravilhoso e vale muito a pena se aprofundar neles, que vão além de apenas campeões jogáveis.
Fotos: Divulgação/Netflix e Divulgação/Riot Games, respectivamente.
Descrição da primeira imagem: Nome "Arcane" centralizado a esquerda, no fundo a personagem Jinx de costas, longas tranças azuis e tatuagem de nuvens que cobrem o braço direito e vão desde os ombros à sua cintura exposta, carregando uma metralhadora presa na cintura e rodeada por neblina com uma pedra azul em sua mão direita enluvada.
Descrição da segunda imagem: Nome "League of Legends" centralizado, no fundo a personagem Lux do jogo, cabelos loiros, veste uma armadura com detalhes dourados, um cajado em sua direita.
Eu mesma nem jogo League of Legends, mas sou uma leitora ávida dos enredos por trás de cada mínimo detalhe presente no jogo. Espero poder ter sido capaz de despertar o interesse dos leitores do Yẽgariru em ir atrás dessas histórias incríveis e mergulhar de cabeça no que LoL tem a oferecer (não o jogo, ele é um caminho sem volta e não sei dizer se isso é algo ruim ou algo ruim - foi de propósito hein).
É aqui que entra a questão que surgiu em minha mente e me motivou a escrever todos esses posts até agora (fazendo jus à “17:25h eu te conto”, aqui estou eu depois de 2 semanas escrevendo sobre Arcane explicando o porquê): o papel das adaptações cinematográficas na formação de leitores.
Nem todo mundo tem interesse em ler um livro, seja por falta de costume ou por não conseguir encontrar um que ache interessante. É por isso que adaptações podem ser um ótimo ponto de partida na formação de leitores. Tudo começa com um filme ou uma série, e logo o espectador desperta uma sede por mais, sede essa que pode ser saciada ao descobrir que o que ele assistiu foi uma adaptação.
Se aquela obra cinematográfica foi baseada em um texto literário, quais as divergências entre eles? Não é sempre que as adaptações são fiéis aos livros. Além disso, existem mais conteúdos semelhantes que possam ser encontrados nas obras do mesmo autor?
Essas são indagações que eu, como leitora, me fiz quando descobri que minha série favorita, The 100, era baseada em livros com o mesmo nome. E é por esse motivo que acredito que a mesma curiosidade possa ser despertada nos espectadores de Arcane, ainda mais sabendo que existe todo um vasto universo a ser explorado em League of Legends, não só no formato de textos, mas também no de histórias em quadrinhos. A animação é um instrumento que leva o espectador a consumir mais de seus equivalentes, suas inspirações e derivados.
Foto: Wikipédia
Descrição da primeira imagem: "The 100" centralizado, com os dois zeros se chocando e emitindo fragmentos do que aparenta ser rochas, no fundo pode-se observar uma grande montanha, como uma linha separando o céu repleto de nuvens da vegetação vasta e verde presente na imagem.
Descrição da segunda imagem: Capa de três livros enfileirada, ambos de fundo branco com o nome da autora, Kass Morgans, no canto inferior em caixa alta. Na primeira capa lê-se "The 100" com o subtítulo "Os Escolhidos" em letras menores e imagens referentes ao espaço preenchendo as letras; na segunda o título centralizado é "Dia 21" com imagens referentes ao céu cheio de nuvens e um casal abraçado; já na terceira "De Volta", com imagens referentes ao pôr do sol em vermelho, lilás e laranja.
Uma prova mais concreta do que está sendo dito pode ser encontrada na alavancagem que o mercado editorial sofre toda vez que uma adaptação de livro se torna famosa. Como, por exemplo, as obras “Objetos cortantes”, de Gillian Flynn, e "Território Lovecraft”, de Matt Ruff, que sofreram um aumento nas vendas de 490% e 450%, respectivamente, devido a popularidade de suas adaptações, como evidenciado na matéria “Séries impulsionam vendas de livros e substituem os filmes na preferência de escritores” do jornal O Globo.
Além disso, essas obras cinematográficas permitem que sejam observadas diferentes dimensões do que é apresentado em um livro, pois não são constituídas apenas de texto, a combinação com os elementos audiovisuais fazem com que o espectador seja capaz de assimilar a história com mais facilidade e se sinta mais propenso a buscar o conteúdo que deu origem a elas. Desse modo, a produção de adaptações literárias é um estímulo para a formação de leitores, capaz de desenvolver em cada um deles pensamento crítico, assim como o prazer pela leitura.
Caso queira conhecer mais sobre o universo de Runeterra, é só visitar o site oficial de League of Legends: https://map.leagueoflegends.com/pt_BR.
Referências
GLOBO, O. Séries impulsionam vendas de livros e substituem os filmes na preferência de escritores. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/series-impulsionam-vendas-de-livros-substituem-os-filmes-na-preferencia-de-escritores-1-25120486. Acesso em: 21 nov. 2021.
SILVA, Marcelo; TEÓFILO, Gregório; SOUSA, Saulo; FERREIRA, Rodrigo; CARVALHO, Márcia. Cinema e ensino: Estratégias de leitura literária a partir do uso de adaptações cinematográficas. Claraboia, Paraná, n.16 (Educação literária), p. 225-241, 2021. ISSN: 2357-9234. Disponível em: https://core.ac.uk/display/327193059. Acesso em: 21 nov. 2021.
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