[RESENHA] Os dois morrem no final: todos morremos no final mas não é isso que importa
- Karen
- 29 de nov. de 2021
- 3 min de leitura

Informações técnicas do livro:
Descrição do livro: duas silhuetas masculinas caminhando pela rua durante à noite. A sombra atrás de ambos forma a silhueta da Morte, com um capuz e uma foice. Ao fundo, silhuetas de prédios altos e uma lua cheia no céu.
Título: Os dois morrem no final.
Título original: They both die at the end
Autor: Adam Silvera
Tradução: Vitor Martins
Editora: Intrínseca
Data da 1ª publicação: 4 de Outubro de 2021
Páginas: 416
Nota: 4/5
A Central da Morte não me ligou, porque não vou morrer hoje, mas até que ponto isso é verdade se os capítulos finais de Os dois morrem no final me mataram por dentro?
Imagine que você desperta à meia-noite com a visão turva e o quarto banhado por escuridão a não ser pela tela brilhante do seu celular. Um som estridente preenche o quarto e seu peito dói porque você, assim como todas as outras pessoas, reconhece quando a Central da Morte está ligando.
Você atende e ouve uma voz apressada dizer:
"Sinto muito lhe informar que em algum momento ao longo das próximas 24 horas você terá um encontro prematuro com a morte."
Foi com essas palavras que Mateo Torrez e Rufus Emeterio descobriram que seus dias na Terra estavam chegando ao fim.
Mateo tem um pai internado no hospital em coma e uma única melhor amiga constantemente ocupada na criação da filha.
Rufus vive em um lar adotivo com seus melhores amigos desde que seus pais morreram em um acidente de carro e está tentando lidar com uma decepção amorosa.
Por diferentes motivos, os dois protagonistas estão em busca de uma companhia que possa tornar as suas próximas 24 horas menos solitárias, e acabam por buscar companhia no aplicativo Último Amigo, um app criado para que Terminantes encontrem voluntários que o acompanhem em seus últimos momentos de vida.
Seja por destino ou por puro acaso, ambos acabam se conhecendo e decidindo caminhar juntos em seus momentos finais. Eles estão destinados a morrer a qualquer instante a partir dali e o objetivo é viver cada segundo sem arrependimentos, tendo ainda que lidar com traumas, conflitos internos e a frustração de morrer cedo demais.
"É muito bizarro, mas sobreviver me ensinou que é muito melhor estar vivo querendo estar morto do que estar morrendo e querer viver para sempre."
Você provavelmente está se perguntando: mas porque eu me daria ao trabalho de ler um livro que eu já sei o final?
Eu também pensei assim no início e, sinceramente, saber o final não diminuiu em nada o que eu senti ao longo da história. A leitura foi um pouco arrastada no começo, mas a urgência em devorar todo o livro surgiu cerca de 50 páginas depois. Quando Mateo e Rufus finalmente se encontraram, seus diálogos e interações me fizeram querer seguir em frente a cada capítulo. Acompanhar os dois, a forma como estão dispostos a ouvir e confortar um ao outro em seu processo de luto pela própria vida dá um calorzinho no peito e me fez sentir um misto estranho de felicidade e tristeza ao lembrar que a cada página o tempo se esvaía e o ato final se aproximava.
Derramei algumas lágrimas nos capítulos finais, o misto de emoções não me permitiu continuar a leitura e eu tive que parar de ler por um momento, antes de terminá-la. O livro nos faz se deparar com a morte de forma crua, na minha opinião. É uma representação seca, sem muita espiritualidade, crença ou o que vem depois disso, porque, no final das contas esse não é um livro sobre a morte e sim sobre a vida.
A leitura do livro é bastante fluída e se tiver um dia livre disponível para lê-lo, vai conseguir terminá-lo rapidamente, se você gostar muito. Não deixe de acompanhar essa história só porquê "o título já entrega tudo", afinal:
"Quando alguém compartilha a própria jornada, assim, pra todo mundo ver, você presta atenção - mesmo sabendo que eles vão morrer no final."
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