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Uma mulher feita de poesia

  • Foto do escritor: Jéfita Castro
    Jéfita Castro
  • 2 de dez. de 2021
  • 3 min de leitura

A poesia pode ser uma fuga ou a capacidade de demonstrar a realidade em suas singularidades, por muitas vezes ela dói, e o que conforta é saber que não está sozinha. Quando li poesia pela primeira vez, quis fazê-la à minha maneira, quis materializar como via, ouvia, cheirava, degustava e tateava o mundo ao meu redor. O desejo e o prazer de ter em mãos, papel e caneta, fazendo festa, dançando a tinta nas linhas, errando e consertando pontuações, palavras, tirando o peso (e o pesar) e adicionando vida à minha própria.


Foto por Jéfita Castro
“depois de muito tempo separados minha mente e meu corpo enfim voltam a se encontrar” — meu corpo minha casa (dedicatória)

No ano de 2019, ouvi e vi um título peculiar perambular, ouvidos e olhos, brotando em mim uma curiosidade, que cessaria quando o tivesse de encontro ao toque, a visão, e pudesse desfrutá-lo. Os Outros Jeitos de Usar a Boca, da poeta Rupi Kaur, me encontrou, enlaçou, tomou para si, naquele momento eu era uma parte dele, e ele parte minha. Esse foi o primeiro contato, mesmo emprestado, senti-lo e lê-lo nos intervalos do ensino médio, em voz alta, não apenas para mim, mas para as amigas que me ouviam no gramado. Mergulhando em cada página, nos textos absurdos de significados transcendentes, um misto de emoções tomou meu corpo inteiro, ao ler uma parte específica daquela obra:


(Os outros jeitos de usar a boca, 2017, p. 109)

Poesia é para ser lida, apreciada e absorvida aos pedaços, e de pouco em pouco pode perdurar uma eternidade. Este é meu poema favorito, pois é nele que me identifico. Extrema, intensa e, principalmente, humana.


Foto por Jéfita Castro




Naquele mesmo ano, fui agraciada de encontrar seu segundo livro, O que o Sol faz com as flores, numa prateleira promocional. Poucos minutos e eu estava levando uma parte de Rupi para morar comigo e habitar o mesmo espaço. E assim, suas palavras inundaram meu quarto, as paredes ouviram meus pensamentos, meus olhos arregalados não paravam de lê-las.







(o que o sol faz com as flores, 2018, p. 113, p. 228.)


Algo era entre perder-se e encontrar-se, outras preenchendo lacunas, desengavetavam memórias e quanto mais se tinha, mais se queria. Quem era está mulher feita de poesia?


Foto por Jéfita Castro



Rupi Kaur, nasceu na cidade de Panjabe, na Índia, em 05 de outubro de 1992, no entanto, muda-se para o Canadá ainda muito nova. Como ainda não dominava o idioma de onde passou a morar não conseguia comunicar-se com outras crianças, sendo a escola, até certo momento, um ambiente solitário. Ainda na infância, ela passou a desenhar, e assim foi até aos 17 anos (tanto que as ilustrações presentes em suas obras são da própria autora), quando passou a dedicar-se à escrita. É de maneira independente que, em 2014, publica seu primeiro livro: milk and honey (intitulado no Brasil Os Outros Jeitos de Usar a Boca, com publicação a nível mundial em 2017).






os poemas de rupi falam de amor. perda. trauma. cura. feminilidade. e imigração.” — meu corpo minha casa (segunda orelha)


Foto por Jéfita Castro

Em 2020, lança a sua terceira coletânea de poemas, Meu corpo minha casa. Diante de uma pandemia, a poeta levanta a voz mais uma vez, em resistência e instinto de sobrevivência, simultaneamente a existência da fragilidade humana. O ser mecânico, nasce do ser humano, esquecendo que sabe sentir, torna-se engrenagem de uma máquina biológica. A partir de suas palavras, Rupi humaniza o ser, antes máquina, ressignificando em conceito original o que somos: Vida!


A significação, por mim atribuída, às palavras da escritora, por meio da singular leitura do mundo, ampliaram minha conexão poética. Essa “leitura ao alcance das mãos”, por ser composta de textos curtos, é uma porta de entrada ao mundo literário, um empurrão para o início da descoberta de acervos, histórias e tudo que a imaginação (e realidade) pode oferecer.


— Você está preparado para desbravar?


Atenciosamente, Jéfita Castro.


 

Referências


SOUZA, Lali. Mulheres Migrantes: Rupi Kaur. Continuidade podcast, 2021. Disponível em:https://continuidadepodcast.com/2021/03/mulheres-migrantes-rupi-kaur/ Acesso em: 29 nov. 2021.

1 Comment


akilla kent
akilla kent
Dec 03, 2021

Texto inspirador demais. Até quem ama uma logos na rotina, precisa se aventurar na poesia. Amei!

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